Depoimentos de clientes

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"Acho que posso dizer que essa experiência salvou o meu ano, em todos os sentidos, e, de quebra, salvou uns anos passados também. Kkkk

Nunca tinha mergulhado tão profundamente dentro de mim mesma, nem com tanta intensidade. Preciso, nem dizer, afinal você já deve está cansada de saber, que tenho estado cada vez mais próxima de mim mesma, do que sou, do que acredito, do que gosto.

Também estou me sentindo bem mais forte e mais segura.

Semana passada isso ficou bem claro para mim em um episódio com [pessoa]. Ele sempre falou muito do meu corpo, e, como eu era gorda, mesmo quando não estava gorda, e, isso sempre me deixava destruída, arrasada, detonada, vários almoços de família tive que ir para o banheiro chorar depois de algum comentário do tipo. Aí, dia desses, depois de anos sem fazer qualquer comentário, ele fez a seguinte pergunta com cara de reprovação: “e engordou foi?”

Eu, na hora, gelei por alguns segundos, sem saber bem o que fazer. Ele está com Alzheimer, então, talvez não entendesse muito bem se eu quisesse explicar o que isso significa para mim e como é duro falar comigo desse jeito. Então, a solução que encontrei foi sorrir e falar “foi, engordei”, como se eu falasse “foi, emagreci”, sem encarar como uma coisa ruim, nem como fracasso, nem como se eu tivesse feito algo “errado”. E, a minha surpresa foi que ele apenas riu de volta e não falou mais nada. E, aí me dei conta que por mais que eu não tenha controle sobre o que as pessoas falam ou comentam, o fato de eu encarar e lidar de outra forma fez toda diferença, por mais que eu ficasse chateada com as pessoas que faziam os comentários e tal, acho que o que mais afetava, era que, no fundo, eu ainda acreditava no que elas falavam, aqueles valores delas ainda me atingiam, e, agora não mais.

Acho essa experiência foi definitivamente um daqueles exercícios que me deixam mais forte e segura. Foi bom me perceber assim, e, isso só foi possível por conta de todo esse processo.

Foi também por conta desse processo, que consegui, finalmente, “tirar minhas tampas” e deixar sair tudo que estava aqui preso por anos, enquanto, eu procurava soluções em outros lugares, pude ver que as respostas estavam dentro de mim. A sensação que tenho agora é como se tivesse, finalmente, tirado uma calça apertada, que me machucava por anos, e, agora não uso mais calças apertadas (acho que posso dizer que inclusive em todos os sentidos).

Por fim, duas coisas que simbolizam bastante para mim, tanto esse processo quanto o final desse ano. A primeira, é um quadrinho que há muito tempo queria pendurar na minha parede e sempre acabava adiando e enrolando. Mas, no fundo, não me sentia confortável para pendurá-lo, pois sabia que não estava vivendo o que ele dizia, era como se eu fingisse que acreditava naquilo, e, me dava uma certa irritação pensar em olhar para ele todos os dias, justamente, por me lembrar que eu não estava no caminho certo. Então, ontem, eu, finalmente, consegui pendurá-lo e fiquei tão feliz e tão confortável de ter feito isso, como se pela primeira vez eu estivesse vivendo tudo que acredito. A frase que tem nele é um trecho de Simone de Beauvoir, acho que bem conhecido: 'que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância...'

A segunda coisa é um trecho do “Cântico Negro”, de José Regis, que ouvi em um CD de Maria Bethânia, o texto todo traduz perfeitamente esse momento que estou vivendo, mas esse final foi que mais me marcou:

“Ah que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições
Ninguém me diga: “vem por aqui”
A minha vida é um vendaval que se soltou
É uma onda que se alevantou
É um átomo a mais que se animou
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por ai!”

Só pra terminar, enquanto escrevia esse e-mail, percebi que usei, e quis usar muito mais, a palavra 'finalmente', e acho que é ela que sintetiza todo esse processo, é um momento de 'finalmentes'. Por mais clichê que pareça, tudo estava aqui dentro, só esperando o momento em que eu ia deixar sair. Muito obrigada por me guiar até o caminho para 'deixar sair', por me levar até mim mesma, por me lembrar de que toda essa loucura aqui dentro faz sentido. Obrigada mesmo, do fundo do meu coração. Não foram nem inventadas palavras suficientes para agradecer."

Leilane Cliente do acompanhamento de coaching 1 de janeiro de 2017