Mais amor próprio em apenas 1 passo

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Amor próprio e autoestima, esses famosos desconhecidos

selfloveNa maioria das vezes em que escrevo sobre temas que acho complicados de abordar, fico em dúvida se devo ou não publicar aqui no site, porque tenho a impressão de que o texto fica confuso ou inconclusivo, já que eu mesma ainda estou entendendo e exercitando o que resolvi colocar em palavras. E aqui está mais um exemplo de texto que eu pensei, pensei e pensei antes de publicar. Imaginem só, falar de amor próprio e autoestima! Quem sou eu para saber sobre essas coisas? Era exatamente essa a impressão que eu tinha antes da história que vou contar aqui.

Mas não quero que acreditem que vão terminar esse texto e magicamente começar a se amar ou coisa do tipo, isso não vai acontecer. O caminho para o amor próprio não é uma linha reta, não é assim rápido, e nem sempre avançamos nele, não. Tem desvios e retornos e buracos e tudo mais, de verdade, mas acho que tem algo aqui que pode ajudar um pouquinho.

Talvez vocês até se sintam um pouco como eu me sentia: sempre que lia ou ouvia algo sobre amor próprio, ficava com aquela sensação de que se tratava de ficção, de algo idealizado que jamais conseguiria alcançar, algo muito distante da minha realidade e próximo daquelas revistas ou sites com ares de autoajuda – “Você precisa se amar!”, eles dizem, mas não dedicam nem uma linhazinha a ensinar como fazer ou acreditar nisso. Preciso me amar incondicionalmente, é? Ah, tá bom. Espera aí, deixa só eu ligar minha autoestima aqui no máximo, é só um minutinho…

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E aí, tá funcionando?

Até parece que é assim tão fácil! Já comentei sobre isso em outro texto, e volto mais uma vez ao tema: nós somos especialistas em pensar mal de nós mesmos. Temos dificuldade de aceitar elogios. Estamos sempre nos culpando por tudo. Morremos de medo de críticas. Vivemos acreditando que precisamos provar algo a alguém.

Sentiu alguma identificação? Pois é, a insegurança e a falta de autoconfiança são comuns e disseminadas.

Na verdade, acreditamos que somos tão ruins, que estamos sempre buscando algo para mascarar nossas “deficiências”: uma roupa bonita, o carro mais caro, o curso mais conceituado, os maiores prêmios, o primeiro lugar… Mas, em minha opinião, a busca por todas essas coisas é a representação da nossa sensação de sermos incompletos. É a representação maior da crença de que nos falta algo, de que é preciso reconquistar o nosso valor através de posses, prêmios ou títulos.

hole in me since you diedNão estou dizendo que estas são coisas que não devem ser desejadas ou bem vistas, tudo bem? E eu sei que todo mundo concorda que é perfeitamente normal querer ter uma aparência que nos agrada ou fazer uma especialização, ou seja lá o que você queira – o que estou dizendo é que precisamos parar de confundir o valor dessas coisas com o nosso próprio valor!

O problema é que, durante toda a nossa vida, recebemos um treinamento especial para associar o nosso valor a conquistas externas, estamos condicionados a isso, e, aos poucos, esquecemos que o nosso valor é próprio, ou seja, ele está e sempre esteve bem aqui conosco.

Mas, depois de tantas demonstrações de que o valor é externo e é algo que tem que se alcançado, como simplesmente enxergar esse valor próprio?

expectationsO que me motivou a fazer esta reflexão é que, há não muito tempo, eu me encontrava em uma situação insustentável e precisava de uma saída. Deixe-me explicar… Eu também baseava a minha autoestima somente em medidores externos. Houve um tempo em que era o resultado na escola. Depois, o fator decisivo era ter lido os todos os livros e visto todos os filmes considerados “cultos”, e ter um tão-incrível bom gosto. Mais recentemente, eu só me valorizaria quando tivesse a dieta mais perfeita, quando não faltasse mais à academia e, se possível, quando fosse magra para todo o sempre. Vocês sabem, aquele conhecido formato da dieta perfeita e corpo perfeito. Aliás, parece que ele anda bem popular recentemente…

Os medidores externos em que escolhemos investir os nossos esforços na busca por mais valor variam muito – sugiro, inclusive, uma pequena pausa aqui para você pensar se você tem um medidor preferido, e qual seria ele. Independente dos detalhes, o que todos eles têm em comum é que o objetivo final é a aprovação e a aceitação dos outros, e elas funcionam como condições para que a gente se aprove e se aceite também.

Seguindo essa lógica de tentar ser boa o bastante, eu…

Queria emagrecer, porque senão todos achariam que eu era preguiçosa e exagerava na comida. Usava maquiagem sempre, porque se vissem a acne na minha pele, iriam me considerar descuidada. Passava horas estudando coisas que não me interessavam, porque eu não queria que ninguém pensasse que eu era preguiçosa. Valorizava o dinheiro como medidor de sucesso, porque, caso contrário, diriam que eu não entendo direito a realidade. Me forçava a escrever, porque temia que me julgassem como descomprometida. Comparecia a eventos que não queria, pois assim não seria chamada de antissocial.

Em resumo, eu fazia uma série de coisas que não queria fazer, para parecer alguém que não era, pois acreditava que assim iria agradar, ser aceita, e ficar mais feliz. Mas eu nunca ficava.

princessComo muitas pessoas fazem e sempre fizeram, eu seguia motivada por razões externas, dando aos outros o direito e o poder de decidir se eu teria valor, se seria aprovada, se seria considerada boa o bastante.

O problema é que essa versão magra, frequentadora de academia, maquiada, leitora de temas desinteressantes – para mim -, escritora em tempo integral, super sociável e que acreditava que ganhar bem é sinônimo de ter sucesso não era eu. Nunca foi. E, cada vez que eu precisava ser ela, desgostava ainda mais de mim.

tumblr_lgwa7egIRR1qece4ko1_400Foi aí que eu descobri que essa busca cega pelo meu valor em coisas externas era justamente o que estava destruindo meu amor próprio. No fim das contas, percebi que vivemos cortando partes de quem somos, na tentativa de nos encaixar em moldes que acreditamos serem os certos para nós, e isso machuca. Diria, inclusive, que chega a ser mutilante.

Cada vez que fazemos algo que vai contra os nossos desejos e crenças mais profundas, contra a nossa essência, estamos nos agredindo e dando um golpe certeiro na autoestima.

Pensem bem comigo: como gostar de verdade de algo que você vive tentando esconder e mascarar? Como gostar de algo que você acredita que é errado ou inadequado? Como é possível gostar exatamente de quem você é, se você não se permite ser essa pessoa?

Eu digo: é impossível.

Eu não preciso da sua permissão para me amar.
Eu não preciso da sua permissão para me amar.

Infelizmente, toda essa conversa de amor próprio soa muito distante e fantasiosa para muita gente, como soava para mim. Acho que isso acontece, principalmente, porque nunca fomos devidamente apresentados a ele. Então, deixem-me fazer as honras:

Queridos leitores, amor próprio é a habilidade de valorizar a si mesmo de forma absoluta e entender o próprio valor como algo totalmente independente de medidores externos.

Eu sei, parece radical, parece ainda muito assustador, pode parecer até inalcançável! A parte boa é que, justamente por ser uma habilidade, o amor próprio pode ser aprendido e exercitado.

E, em minha opinião, o primeiro e mais importante passo para conquistar o amor próprio depende tão somente de se permitir ser quem você realmente é.

1482833_556742497734483_447935320_nA partir deste exercício de autenticidade, estou aprendendo a expressar as minhas vontades e a respeitar os meus limites. Estou praticando escutar mais o meu corpo e atender as minhas necessidades e estou, aos poucos, compreendendo que as minhas falhas e defeitos não me definem. Não se engane, eu ainda quero ler os livros mais legais e ter uma alimentação saudável, mas entendi que não há uma mesa de jurados, lá fora, esperando que eu prove alguma coisa, e que o meu valor sempre esteve e sempre estará aqui comigo!

E você, também quer exercitar o seu amor próprio?

Se quiser, eu tenho uma dica para começar: pense em uma pessoa que gosta de você e te apoia no seu melhor ou pior – pode ser um grande amigo que você tem, o seu parceiro, seu irmão ou sua irmã, por exemplo. Aposto que essa pessoa não te valorizaria apenas se tivesse um porte atlético, cabelos brilhantes, decisões infalíveis e comportamento impecável, não é verdade?

Então, a sugestão dessa semana é tentar enxergar a si mesmo com o olhar dessas pessoas, com o olhar de quem te faz se sentir livre para ser exatamente como você é, e te ama assim mesmo. É o momento de tentar se enxergar com um olhar de amor incondicional! E assim dar início à libertadora tarefa de ser integralmente e orgulhosamente quem você é.

Eu sei que, no início do texto, eu critiquei os discursos que simplificam demais a tarefa de ter mais amor próprio, aqueles que fazem parecer que só não se ama quem não quer, disse até que achava que eu nem deveria falar sobre isso, e agora estou aqui afirmando que basta uma mudança, um passo, para conseguir. É que eu percebi que essa era a justamente a peça que faltava para a busca pelo amor próprio se tornar mais real e palpável para mim – e agora sinto que não só eu, mas todo mundo deveria falar sobre isso, mais e mais vezes. Não me entenda mal, eu não quero te enganar, fazer parecer algo super simples ou rápido – esta mudança de olhar exige persistência, exige compromisso e exige muita coragem. Mas, sinceramente, foi a melhor mudança que eu já fiz, e espero ter te convencido a tentar fazer também.

43 thoughts on “Mais amor próprio em apenas 1 passo

  1. Ótima reflexão. Mostrei para minha filha, com falei a respeito desse assunto ontem e pelas coisas de sincronicidade encontrei esse belo texto hoje. Obrigada por me ajudar a ajudar outras pessoas. Depois que comecei a me amar senti necessidade de escrever sobre essa viagem do autoconhecimento e por conseguinte do auto amor.Com muita humildade, convido para conhecerem meu blog o que assim como eu ainda está em construção: http://www.esperaçando.com.br . Mais uma vez muito obrigada. Ângelamaria

  2. Eu desejo essa transformação, meu eu verdadeiro sente necessidade de libertação pois ele vive preso dentro de mim. Por mais difícil que seja eu vou buscar toda minha coragem e amor para libertá lo. Bjs e obrigada

  3. Oi, Simone!

    Que alegria saber que você está no caminho de ter mais amor próprio. 🙂
    É como você diz… pode ser um processo que exige paciência, mas vale a pena mesmo.

    Obrigada por compartilhar um pouco da sua experiência aqui!

    Beijo

  4. Excelente texto. Não é fácil, além do processo ser longo. Estou nessa viagem há pouco mais de 1 ano, após um pé na bunda que hoje eu vejo que foi extremamente necessário.
    Um exercício físico que me ajudou mto, foi o do espelho, que consiste em se concentrar, e se enxergar através da visualização de sua imagem. Aquela conversa, de vc para vc mesma e falar em pontos altos, todas as qualidades que você enxerga em si. Fazer qtos dias seguidos por preciso, até vc ter consciencia de todas as qualidades mencionadas e se sentir auto confiante.

  5. Oi, Verônica!

    Você está certa – quando pensamos racionalmente, tudo faz muito sentido, mas colocar em prática é um passo complicado para nós. Temos muita resistência em reconhecer como positivas as nossas particularidades, especialmente quando elas se afastam muito do que é visto como “bonito” e “agradável”.

    Continuaremos tentando! <3

  6. Nossa, é estranhamente dificil colocar isso em prática. E tudo que está escrito é realmente verdade, os elogios existem porém a dificuldade em recebê-los é grande demais.
    Continuarei tentando é claro!

  7. Oi, Wanda! Que comentário doce e forte, muito obrigada por compartilhar aqui um pouquinho sobre você!

    É justamente isso: a segurança de querer ser melhor para si mesma a cada dia, e assim se amar cada vez mais. Um bom caminho para você! <3

    Beijo e obrigada.

  8. Oi, Katiusce.

    Eu que agradeço pelo seu comentário cheio de gentileza e honestidade, fico feliz em saber que o texto te ajudou. Boa sorte para nós nesse caminho de amor próprio! 🙂

    Beijo!

  9. Ao ler seu texto levei um susto. Era a descrição de mim mesma. Quero muito ser quem realmente sou. Obrigada por compartilhar sua história. Me ajudou.

  10. Ariela você é um anjo abençoado! Seu texto é maravilhoso! Quebra todos os paradigmas comerciais sobre o Amor Próprio e Auto Estima que eu já li. Enquanto lia o texto, refletiam passagens da minha vida (lembranças de dor e sofrimento). Me vejo como resultado de todo lixo que depositaram em mim durante 42 anos, mas não vou permitir que façam isso comigo! Sei que tenho qualidades e posso ser melhor pra mim a cada dia, a cada novo amanhecer. Eu quero me aceitar! Eu quero me amar! Obrigada Ariela e que o Sagrado Coração de Jesus e Maria a abençoe!

  11. Amei o texto, de fato é algo que preciso urgentemente pôr em prática. Eu sei que sou bonita, inteligente, amiga e uma boa pessoa…Mas independente disso nunca está bom, sempre acho que falta algo….que tem alguma coisa errada, e de fato têm…. Onde foi parar meu amor próprio? Em que momento do caminho eu o perdi? São perguntas que comecei a me fazer!!!

    Bjo

  12. Que bom que encontrei você, estou com essa dificuldade de me aceitar estou numa fase de recusar mim mesma, vou por em prática o que li.

  13. bom dia Ariela..complementando o meu comentário anterior…é muito bom saber que existem pessoas dispostas a ajudar o próximo…em meio a tanto desprezo pela vida dos outros, renovamos a confiança no ser humano quando encontramos pessoas como você…dedicando tempo, dividindo conhecimento e experiência para ajudar as pessoas…muito bom isso…renova nossas energias para acreditar no homem…imprimi o seu texto e todo dia, assim como tomo o meu cafezinho, eu leio e releio…continue sempre assim…abraço

  14. Muito obrigado Ariela…valeu mesmo…simples e claro…me ajudou muito e tenho certeza que vai ajudar também a muitas outras pessoas…abraço

  15. Oi, Gení.

    Muito obrigada pelos elogios e pela gentileza do seu comentário. Fique à vontade para utilizar e distribuir o texto, basta colocar meu nome mesmo. Que bom que gostou tanto assim! 🙂

    Abraços!

  16. Cara Ariela,

    Parabéns! Vou, se me permite, tirar cópia e passar para meus clientes de Renascimento e Reiki porque falo isso todos os dias, mas talvez, não me faça entender tão bem como você o fez! Falou exatamente o que eu quero falar…Abçs e excelente trabalho para você!
    Gení

  17. A melhor parte do texto, na minha opinião “..enxergar a si mesmo com o olhar dessas pessoas, com o olhar de quem te faz se sentir livre para ser exatamente como você é, e te ama assim mesmo. É o momento de tentar se enxergar com um olhar de amor incondicional!”

  18. Oiê!

    Obrigada mais uma vez. 🙂 Sabe que eu não vejo nada demais na forma com que escrevo? Para mim, é só uma maneira de colocar meus pensamentos aí pra todo mundo ver, mas fico imensamente feliz quando alguém elogia a forma com que me comunico, porque sei que a mensagem está sendo passada de um jeito legal. Por isso, fica aqui a minha sugestão para você: escreva! Nem que seja só pra você mesma.

    Seu comentário me deixou super feliz! E vamos juntas na busca por mais liberdade, né?

    Beijo!

  19. Guriaaa teus textos são realmente libertadores! Tenho uma grande admiração por pessoas que conseguem expor tão bem seus pensamentos em forma de textos (vai ver é pq eu acho que sou ruim nisso, entao acabo nem tentando, pq vai ficar ruim de qualquer forma (essa auto-etima sempre pega peças). Muito bom o texto mesmooo!! Obrigada por compartilhar tuas ideias! me sinto confortável de ver pessoas que se amam por ai 🙂

  20. Oi, Marcela!

    Fico muito feliz que tenha gostado do texto, de verdade. O que sugeri é apenas um dos exercícios, mas o mais importante é manter o foco em permitir-se ser quem você é. Logo, qualquer coisa que te ajude nesse sentido pode ser usada como ferramenta ou exercício. Tente pensar em como você olha para as pessoas que você ama, o que pensa dos “defeitos” ou falhas delas, e tente transportar esse olhar quando estiver pensando em si mesma.

    Dito isso, gostaria só de acrescentar que, por mais que a gente ache que está sozinho ou que ninguém nos olha com gentileza e compreensão, é muito difícil realmente não termos alguém que nos destine esse olhar. Mesmo que seja alguém distante, tenho certeza que há por aí quem te enxergue de maneira plena, e que aceitaria cada particularidade de quem você é. Na maioria das vezes, é o nosso olhar extremamente crítico sobre nós mesmas que nos impede de ver isso.

    Espero que essa caminhada em busca do amor próprio seja cada vez mais proveitosa para você. <3 Obrigada pelo comentário!

  21. Oi, Thais! Que lindo o seu comentário! 🙂

    Fico muito feliz em saber que o meu site é um dos que tem te ajudado, de verdade. E você resumiu bem o que eu defendo: seja quem você é, sem condições ou restrições. Adorei!

    Muito obrigada e espero que continue acompanhando o blog.

    Abraços!

  22. Maravilha de texto. Desde que conheci blogs como o seu, minha vida realmente melhorou muito. Vcs falam coisas em que eu acredito muito, e me dá força ver que, sim, posso ser feliz acreditando no que acredito, sendo o que sou, fazendo o que gosto, independente de qualquer aprovação ou conhecimento alheio. Libertador 😀

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