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Exercícios físicos sem sofrimento!

Eu não queria fazer um post sobre exercícios. Na verdade, acho que atualmente tem muita gente falando disso, falando até demais. Idolatrando esse estilo de vida de viver na academia, os corpos sarados e o fato de o lanche ter virado a “refeição pré-treino”. Seria fantástico se estivéssemos mesmo vivenciando uma época de admiração do estilo de vida saudável e o incentivo do exercício físico por prazer, mas isso está bem longe do que tem acontecido na realidade. Como praticamente tudo que vira tendência, esse culto à academia e aos exercícios físicos atingiu já o status de obsessão, assim como a admiração pelos corpos musculosos e torneados não difere em nada da busca pelos ideais inatingíveis de magreza, antes almejados com o mesmo fervor pelas jovens. Então aqui eu não vou falar de agachamentos, de pesos, de treinos intervalados, de claras de ovo nem de proteína em pó, já que tem muita gente disposta a fazer isso, e eu, sinceramente, não tenho o menor interesse no assunto.

Exercícios – estamos entendendo errado?

 exercício4“Mas fazer exercício é importante!”. Nossa, eu ficava irritada quando ouvia esse tipo de coisa. Ficava incomodada mesmo quando me cobravam ir à academia, quando me perguntavam se eu fazia alguma atividade física e ainda mais quando via aquelas pessoas correndo felizes. Nunca fui do tipo que gostava muito de correr ou levantar pesos, nunca fui boa em esportes e, quando frequentava academia, sofria desde a hora em que acordava até a hora de ir até lá. Aí sofria fazendo os exercícios, que achava muito entediantes. Aí sofria por me obrigar a passar mais tempo na esteira depois de comer uma fatia de bolo. E o sofrimento ficava ainda pior ao ver que meu corpo ainda estava longe do que eu esperava, mesmo com todo esse esforço. Convenhamos, não tem como gostar de uma rotina assim, né? Não é que atividades físicas sejam ruins, de jeito nenhum, eu é que estava entendendo tudo errado! Tem gente que realmente adora esses exercícios convencionais e se sente realmente bem testando a força e os limites do corpo, sem o teor de obrigação ou sofrimento que descrevi acima. Mas eu não. Como imagino que há mais gente por aí que também se identifica com essa visão, vou compartilhar três descobertas que mudaram totalmente a minha forma de enxergar os exercícios físicos.

1 – Ser sedentário x ser ativo

exercício1Não sei se muita gente tem conhecimento, mas existem vários estudos científicos demonstrando que o tempo que se passa sentado (ou deitado, tanto faz) está diretamente relacionado a ganho de peso, maiores problemas de saúde e até mesmo à possibilidade de morte prematura. Aí você me diz “Claro, isso não é novidade para ninguém! Ser sedentário é perigoso para a saúde”. Mas a questão aqui é justamente o que nós consideramos como sedentarismo. Alguém que se exercita durante 30 minutos por 5 dias na semana – coisas como ir à academia ou correr, por exemplo – é considerado ativo, pela definição formal de atividade física, mesmo que essa pessoa passe o resto do tempo sentado em um escritório ou na frente do computador. E quem vai a pé para o trabalho, sobe três lances de escada todos os dias, passa o expediente em pé, volta para casa também andando, faz faxina, cozinha e não vai à academia é considerado um sedentário. Será que isso realmente faz sentido?

Bom, segundo os estudos, o exercício programado sozinho não evita que essas pessoas desenvolvam os problemas de saúde relacionados a ficar sentado por muito tempo. É isso mesmo: o risco ainda existe, mesmo para quem se exercita regularmente e passa o resto do tempo inativo! Pensando bem, durante a faculdade, eu sempre fiquei frustrada ao ouvir que atividade física não-programada não conta como exercício. Como é possível? Antigamente, manter o corpo em movimento era parte da rotina diária de quase todo mundo: as pessoas andavam, trabalhavam em pé, realizavam esforço físico durante todo o dia, e as academias sequer existiam. Ninguém passava o dia em uma cadeira desconfortável, esperava dar tal horário e aí pensava “droga, preciso levantar e me mexer agora”, e as doenças degenerativas e a obesidade eram muito menos comuns que hoje em dia. Então como pode ser verdade que a atividade física diária não-programada não serve como exercício? Nem vem, conta outra.

2 – No pain, no gain (sem dor, sem ganho)… Sério?

coverpostOutra coisa que sempre me irritou muito é essa crença de que para a atividade física ser válida, ela tem que ser difícil, dolorida, extenuante. Essa ideia, aliás, só existe no contexto da atividade física programada: é preciso ir à academia todos os dias da semana, levantar pesos cada vez maiores e sentir os músculos queimando durante os abdominais. E se você preferir andar, ao invés de correr? Lamento, não é o suficiente. Dançar, passear com o cachorro, brincar com crianças ou nadar na piscina também não contam, é tudo enrolação. Ou você sofre, fica suado e tem dores no dia seguinte, ou não valeu. Bom, como eu disse, cada um com seus objetivos e prioridades, mas para mim isso não serve. Eu prefiro encher o meu dia com atividades naturais, como ir andando aos lugares, ou fazer alguma atividade divertida, como dançar, do que investir meu tempo em levantar pesos ou correr no mesmo lugar.

Sem dor, sem dor.
Sem dor, sem dor.

E pelo que expliquei no tópico anterior, aparentemente, a evolução humana até que concorda comigo. Atividades físicas prolongadas e de baixa intensidade, como o simples caminhar, sempre estiveram presentes na rotina dos seres humanos e há evidências de que elas melhoram a saúde cardíaca, reduzem o risco de diabetes, demência, e ainda combatem a inflamação crônica do organismo – principal causadora das doenças degenerativas modernas. Não estou dizendo que exercícios de força e resistência ou atividades aeróbicas mais intensas não são importantes, cada uma delas tem sua contribuição para nossa saúde. Mas eu gostaria que acabasse essa ideia de que existem algumas atividades físicas “de verdade”, enquanto todas as outras não são boas o bastante. O exercício não precisa ser doloroso para ser efetivo, e nenhum tipo de atividade deve ser desvalorizada – além do mais, se você acredita que o que está fazendo realmente é algo bom e saudável, tem mais chances ainda de gostar e continuar!

3 – Exercício em troca de…

Por fim, meu último e maior erro em relação aos exercícios foi vê-los sempre como compensação por alguma coisa, já que as atividades físicas que eu fazia não me traziam prazer. Por exemplo: se queria emagrecer, ia mais vezes à academia. Quando comia fora da dieta (por favor, leia isso aqui!) no fim de semana, passava mais tempo na esteira na segunda. Imagina só… eu utilizava uma atividade que achava desagradável – correr na esteira – para compensar algo de “errado” que fiz – sair da dieta. Sabe o que é isso? Punição. Mas nós sabemos, por experiência própria, que qualquer hábito motivado por culpa nunca vai durar muito tempo, e foi justamente isso que sempre aconteceu com minhas rotinas de atividade física: elas tinham prazo de validade. Acredite em mim, nosso corpo e nossa mente adoram exercícios físicos, mas eles precisam ser feitos com disposição, bom humor, alegria e prazer, senão só geram estresse. E estresse em excesso, como eu costumo dizer, é um dos maiores “bagunçadores” de metabolismo que existem.

exercício3Sedentarismo não é simplesmente falta de exercícios, e sim longos períodos de inatividade. A atividade física não precisa ser dolorosa para ser válida. Os exercícios não devem ser vistos como punição, mas como fonte de alegria e prazer. Essas foram as três principais coisas que me ajudaram a fazer as pazes com a atividade física, e a encontrar uma forma de movimentar o meu corpo sem punição ou sofrimento. Então, se você gosta de levantar pesos ou correr, vá em frente. Mas se você prefere caminhar, dançar ou fazer yoga, não se sinta desencorajado! Mesmo se a única atividade física que você faz é ir andando para o trabalho, não tem por que se envergonhar ou achar que não é bom o bastante, pois toda forma de exercício é válida.
O nosso corpo é feito para o movimento, portanto, é hora de explorar as opções e nossa capacidade, sem vergonha ou culpa!

Para ler mais sobre o assunto:

The Nourished Life – Why Movement Trumps Exercise
Melissa Setubal -4 razões porque academia não faz parte de um estilo de vida saudável
Weightology Weekly – Sitting Too Much May Be Hazardous to Your Health
Chris Kresser – How Sitting Too Much Is Making Us Sick and Fat – And What to Do About It
The Nourished Life – 5 Totally Painless Ways to Be More Active

Imagens: Reprodução Tumblr

6 thoughts on “Exercícios físicos sem sofrimento!

  1. Oi, Thais!

    Fico muito, muito feliz em saber que os textos têm te estimulado e ajudado, de verdade. É tudo que eu preciso pra continuar escrevendo. 🙂

    E sim, sou totalmente contra qualquer tipo de ditadura, e a favor de mais consciência, de ouvir mais o próprio corpo e de a gente mesma escolher o melhor caminho.

    Obrigada pelo comentário e abraços!

  2. Cada vez que leio um texto seu, mais me interessa e me estimula! Realmente, concordo com você sobre o exercício físico e melhor ainda é ter um fundamento para justificar para mim mesma que esse caminho pra mim é o correto! É tanta ditadura de exercícios, obrigações que mesmo não concordando em segui-las dá um medinho! Amei! Parabéns e continue escrevendo por favor, pois tem me ajudado e muito!

  3. Que maravilha! Eu tô começando a entender isso e tô amando. Ler esse texto me esclareceu mais ainda esse assunto 🙂 Obrigada, florzinha!

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