Qual é o melhor especialista para você?

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best specialistTempos antes de ter início essa popularização do glúten e a grande batalha contra ele e, certamente, muito antes da disseminação na mídia de dietas que cortam trigo e seus derivados, um dia, distraidamente, eu ouvi durante o café da manhã:

– Acho que quando eu como pão sinto meu corpo mais inchado, é ruim.

Era minha irmã, que nunca fez uma dieta na vida e decide como vai ser a própria alimentação baseada somente no que tem ou não vontade de comer. Acrescente-se também que ela não é a pessoa mais atenta do mundo e, com toda certeza, jamais notaria se o fenômeno ocorresse em outro corpo. Eu mesma, que a vejo todo o tempo, não notei que acontecia com o dela. Assim, questionei se ela tinha certeza que o culpado era o pão e não um dos milhares de outros motivos possíveis e imagináveis, e a resposta decidida que tive foi:

– É sim, olha só, eu como pão por um tempo e meu rosto fica gordinho, meus anéis ficam apertados. É muito evidente. Vou parar de comer pão um tempo para testar.

Eu realmente não tinha notado antes, mas a mudança foi visível quando ela deixou o pão de lado. E a motivação para isso não foi porque ela leu em alguma revista que o glúten “faz mal”, ouviu as orientações de algum expert em nutrição ou porque alguma conhecida perdeu 10Kg quando parou de comer pão. Nada disso. Ela simplesmente prestou atenção em sinais que o corpo dava ao consumir esse determinado alimento, achou que se sentiria melhor ao evita-lo e resolveu testar.

Não quero afirmar com isso que não devemos nos interessar pelas informações divulgadas sobre alimentação ou em ouvir o conselho de estudiosos no assunto, a troca de conhecimentos é muito importante e válida. Apenas acredito e gosto da idéia de que o melhor especialista que pode existir para você é você mesmo, afinal, quem mais conhece ou deveria conhecer as particularidades do seu corpo é você! Infelizmente, nos vejo cada vez mais distantes dessa realidade, enquanto somos orientados e ensinados a ignorar os sintomas e sinais do nosso corpo. Dor de cabeça? Toma um analgésico. Azia ou má digestão? Antiácido. Preocupado em não cumprir alguma meta de trabalho porque está cansado e com sono? Não tem problema, bebidas energéticas servem para isso! Aposto que se houvesse um remédio “desinchador” sem grandes efeitos colaterais, algum comercial de televisão sugeriria a minha irmã que tomasse ele também.

Por que fazemos isso? Como fomos levados a acreditar que essas respostas que o organismo dá aos nossos comportamentos e hábitos não passam de pequenos incômodos desnecessários, e que precisamos apenas de um jeito fácil e rápido de nos livrar deles?
Suspeito que, em um mundo em que empresas fazem fortunas produzindo comida que nos adoece, sujando nossa água, poluindo o ar que passa diariamente pelos nossos pulmões e enchendo o solo de resíduos contaminantes, torna-se muito conveniente o fato de ignorarmos todas as reclamações do nosso corpo. E fica ainda melhor: muitas empresas também produzem os remédios que nos ajudam a disfarçar todas elas!

8104029108_eed8a16065_cQuero que fique claro mais uma vez: não estou dizendo que os remédios são completamente desnecessários ou que a opinião dos especialistas não é importante. Ao viver em um ambiente tão hostil e cheio de condições prejudiciais, é muita sorte que tenhamos pessoas estudando formas de melhorar a nossa saúde e drogas e terapias que se prestam a facilitar esse processo, quando bem utilizadas. Eu estaria desacreditando meu próprio trabalho, enquanto alguém que tenta auxiliar as pessoas a viver com mais saúde, se afirmasse o inverso. O que estou dizendo é que, justamente por existirem tantos fatores que favorecem as doenças, não podemos mais continuar tão desconectados do nosso organismo! Ele é perfeitamente capaz de identificar elementos prejudiciais e nos “avisar”, através de sinais e sintomas, que algo está nos fazendo mal. O grande problema é que, progressivamente, estamos perdendo a habilidade de estabelecer essa comunicação com nosso corpo, permanecendo de forma passiva diante dos alertas, quando, na verdade, deveríamos ter enorme curiosidade sobre eles. Ao invés de querer mascarar os avisos, devemos, como fez minha irmã, procurar as razões para eles estarem presentes e recuperar a consciência crítica sobre como estamos nos sentindo.

Uma coisa é certa: agrida seu corpo uma vez e você tem um sintoma. Mascare o sintoma e continue agredindo por tempo suficiente e você terá uma doença. E, infelizmente, muitos só se incomodam em fazer mudanças de hábitos e escolhas quando ela já está presente. De fato, as condições em que vivemos são, em grande parte, adversas e nem todas as melhorias e modificações estão ao nosso alcance, mas muitas delas estão e só dependem de nós! Não que seja necessário fazer tudo sozinho, existem muitos profissionais, eu inclusa, mais do que dispostos a ajudar a percorrer esse caminho em busca de uma saúde melhor, mas nenhum deles jamais conhecerá seu organismo tão bem quanto você é capaz de conhecer.

A quem se interessar pelas possibilidades de uma mudança de atitude, proponho um teste simples: durante esta semana, preste atenção aos sinais que seu corpo te manda, saia um pouco do modo automático e transforme cada situação cotidiana em um experimento. Fique atento às respostas do seu organismo a qualquer coisa: os alimentos que come, exercícios físicos, seu sono, humor, situações de estresse etc. Enfim, aja como um estudioso de si mesmo! E tente perceber quais dessas atividades não te fazem tão bem, assim como aquelas que têm consequências boas e que poderiam ser feitas mais vezes. No começo parece difícil, mas, com o tempo, essa consciência sobre os sinais do seu corpo se torna automática e intuitiva. E ela é o primeiro passo para fugir dessa tendência atual em que tomar uma pílula ou ter o número do médico na discagem rápida parece mais benéfico do que fazer mudanças no estilo de vida.

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Ao parar de calar o próprio corpo e se colocar disposto a ouvir, você se torna o melhor especialista em você mesmo! Então fica mais claro quando há algo errado, mais fácil entender por que algumas mudanças precisam ser feitas, muito mais perceptível quando ocorrem as melhorias e, com isso, a mudança de hábitos se torna menos complicada e mais gratificante. Para isso, é preciso estar presente de fato em cada momento, atento ao que está acontecendo, não fazendo mil coisas ao mesmo tempo e torcendo para que tudo se resolva no final. Procure enxergar os sinais, conhecer a resposta do seu corpo a diferentes situações e testar fazer diferente. No fim das contas, quanto mais você se conhece, mais simples fica cuidar da saúde, e o esforço é recompensado!

6 comentários em “Qual é o melhor especialista para você?

  1. Oi, Sloana!

    Primeiro, muito obrigada por ler o texto e por comentar aqui.

    Fico muito feliz que tenha se identificado com o que escrevi! É justamente assim que me sentia, como se estivesse cada vez mais desconectada do meu corpo e de quem eu sou, do que sinto.

    Espero que continue acompanhando o site.

    Abraços!

  2. Ariela texto maravilhoso. O final foi muito tocante para mim. Eu falava sobre essa desconexão com o corpo um dia desses, mas você foi mais além. Muito obrigada!

  3. Olá, Luiz. Que bom que gostou do texto! Sem dúvidas, antigamente nossa ligação com o nosso corpo, com a natureza e com os nossos instintos era extraordinária, incomparável com o que vemos hoje em dia. Se não decidirmos o quanto antes fazer esse caminho de volta, estaremos cada vez mais distantes e desconectados. Mas o esforço de ouvir o próprio corpo vale a pena, e tende a se tornar algo natural. Espero que continue acompanhando o blog e agradeço pela gentileza do comentário!

  4. Ariela, belo texto! Parabéns por versar sobre a redescoberta do corpo! Fico me perguntando: como nossos ancestrais descobriram os efeitos de determinadas plantas ou se as mesmas deveriam ser comidas em que ponto de maturação? Provavelmente eram mais conectados aos sinais do corpo!
    Obrigado pelas pérolas de conhecimento!

  5. Olá, Sonia! Fico muito feliz que tenha gostado do texto. E mais feliz em ainda em saber que tem testado mudanças e observado as respostas do seu corpo. Parabéns!

    A experimentação é o primeiro passo para entender os efeitos que aquele alimento (ou qualquer outro hábito) tem no nosso organismo, e você tem tido muitos resultados interessantes!

    Quanto às falhas no cabelo, é um excelente sinal que elas tenham desaparecido! Se decidir reinserir quaisquer uma dessas coisas que retirou/substituiu da alimentação, fique atenta para notar qual delas traz efeitos negativos. Caso as falhas retornem sem motivo aparente ou apareça algum outro sinal diferente, sugiro procurar um profissional de saúde para avaliar melhor seus hormônios, pois alguns problemas podem passar despercebidos. Se nada disso ocorrer, ótimo, significa que seu corpo está adorando as mudanças e respondendo muito bem a elas. 🙂

    Mais uma vez, parabéns pela atitude e boa sorte em continuar mudando e aprendendo! Espero que continue acompanhando o blog.
    Abraços!

  6. Comigo começou assim; meu genro disse: – Vou fazer um café! E fez sem açúcar. A partir daquele momento eu fiquei intrigada, comecei a refletir e resolvi excluir o açúcar cristal/refinado da minha dieta. E estou observando a linguagem do corpo. Eu fiquei mais magra do que já sou, mas não me sinto tão incomodada.

    Depois eu excluí/substituí tanta coisa ao mesmo tempo e agora não sei dizer o que fez as falhas de cabelos voltarem a nascer.

    Agora eu fico observando a linguagem do corpo. Ainda não cheguei no efeito desejado para a minha idade, mas vou chegando lá!. rs

    Excelente postagem, Ariela! Abraços!

    Sonia Salim

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