Pouca caloria e pouca nutrição

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Saiba por que contar calorias não vai te ajudar em nada!

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Quando vejo alguém fazendo uma dieta para emagrecer, normalmente essa pessoa se diz preocupada com o valor calórico daquilo que vai consumir, olha constantemente as tabelas nutricionais nos rótulos (já que a maioria das coisas que elas consomem têm rótulos) e procura incansavelmente por versões “light” e “diet” dos produtos. Este comportamento, claro, frequentemente vem acompanhado de uma preocupação com o aumento na atividade física diária, mas isso é assunto para outro momento. O que eu quero focar aqui é que a crença geral é: não importa o que você come, o que emagrece é ter um balanço calórico negativo, seja por ingerir menos ou gastar mais. E pior, criou-se o conceito de que os alimentos mais calóricos são os que “engordam”, enquanto que aqueles menos calóricos são considerados melhores ou mais saudáveis, pois teoricamente não o fazem.

Mas será que é assim mesmo que as coisas acontecem? Será que o organismo, repleto de complexas reações bioquímicas e dotado de um intrincado sistema de equilíbrio está mesmo programado para funcionar como uma mera calculadora? A minha opinião, e o que vem sendo mostrado em alguns estudos científicos atuais, é que não. Que lógica existe em orientar alguém a comer menos e gastar mais? Você, por acaso, colocaria menos combustível em seu carro para fazer uma viagem mais longa que o normal? Em que ponto desse balanço consideramos a regulação hormonal do nosso corpo? Pelo visto, estamos errando em alguma coisa.

Neste cálculo de gastar mais do que se come, deve ser adicionado um terceiro elemento que aparentemente vem sendo menosprezado: o metabolismo. E ainda diversos outros fatores de que quase ninguém se lembra, mas que influenciam bastante no funcionamento correto do nosso organismo: os níveis de stress, a qualidade do sono, o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e, acredite, também a qualidade da comida. A simples equação para contagem de calorias, na verdade, faz parte de uma fórmula muito maior e mais complexa, e hoje vou me restringir a falar apenas de um dos seus componentes: os nutrientes.

Além da quantidade de comida, O QUE você come faz toda a diferença.

Se complementarmos a famosa frase “você é o que você come” com “você é o que você come, digere e o que seu corpo absorve e assimila corretamente”, fica mais claro que a natureza e a qualidade dos alimentos ingeridos desempenham um papel importante numa dieta saudável, seja qual for o objetivo dela – ganhar, perder ou manter a massa e a composição corporal. O que o corpo assimila, então, é o que ou utilizamos para gerar energia (as calorias) para as nossas atividades e também para os inúmeros processos químicos e enzimáticos internos ou o que se acumula, de diversas maneiras. Mas não se engane, não é porque o Alimento A e o Alimento B contêm a mesma quantidade de calorias que eles serão digeridos, absorvidos e processados da mesma maneira. A composição de macro (carboidratos, gorduras e proteínas) e micronutrientes (vitaminas e minerais) do alimento, o tipo e natureza desses nutrientes, sua forma de cultivo, preparo, além de como e quando são consumidos estes alimentos desempenham papel fundamental na maneira como serão processados após o consumo.

Sendo assim, para funcionar corretamente, o nosso organismo necessita de um determinado número de calorias, que varia de acordo com fatores como sexo, idade, peso corporal, nível de atividade física diária etc., mas não só isso! Essas calorias devem vir de alimentos com macronutrientes, vitaminas e minerais em quantidades adequadas e de boa qualidade; os quais contribuirão para a formação e renovação das células, participarão de inúmeras reações químicas, fortalecerão o sistema de defesa do corpo, enfim, atuarão mantendo o equilíbrio e o correto funcionamento do organismo, incluindo a manutenção de níveis adequados de gordura corporal. Por sorte, o nosso organismo é uma máquina extremamente eficiente e, salvo em situações patológicas, está “programado” para funcionar em seu máximo quando somos ativos e o alimentamos com as melhores fontes de combustível possíveis. Assim como restringir muito o número de calorias favorece o aparecimento de doenças e pode perturbar o metabolismo a ponto de resultar até em acúmulo de gordura, consumir alimentos de má qualidade e pobres em nutrientes também vai impedir que o corpo funcione adequadamente.

E se a visão simplista do cálculo de calorias já pode ser facilmente questionada apenas com esta análise, imagine se considerarmos a importância das taxas relativas de carboidratos, proteínas e lipídios que consumimos diariamente; o impacto dos alimentos nos níveis de insulina, que afinal é um dos “hormônios do acúmulo”; os benefícios ou malefícios secundários que as propriedades dos alimentos podem ter e outras muitas questões que trabalham em conjunto para determinar as consequências da alimentação na nossa saúde e composição corporal. Em resumo, para manter um organismo equilibrado, saudável e funcionando corretamente, é preciso consumir alimentos na quantidade individual adequada e, principalmente, de boa qualidade. E isso não muda quando o objetivo é emagrecer!

Imagem: reprodução Flickr.

0 thoughts on “Pouca caloria e pouca nutrição

  1. É verdade, Samia, infelizmente a maioria das dietas promove um déficit calórico exagerado, deixando o corpo sem a energia e os nutrientes necessários ao bom funcionamento. A estratégia de contar calorias ou carboidratos ou gordura, a longo prazo, acaba adquirindo um caráter obsessivo e abre portas para transtornos alimentares mais sérios. Comer de forma saudável é simples, apesar de toda a complicação que vemos atualmente.

    Muito obrigada pelo seu comentário e o seu relato! Espero que continue acompanhando o blog. 🙂

    Abraços!

  2. E a gente ainda vê tanta gente dizer do deficit calórico!!! Coitados dos que acreditam e ainda aplicam em suas vidas! No meu caso isso gerou a compulsão!

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